Tema: Alianças de Deus Dispensacionalismo ou Aliancismo.🙺

 


RESUMO: Dispensacionalismo ou Aliancismo? Desde o início da Igreja, os cristãos têm lutado sobre a melhor forma de relacionar as alianças. Nas gerações recentes, duas grandes tradições governaram o pensamento sobre isso na Igreja. Ao buscar “juntar as alianças” na teologia cristã, precisamos fazer justiça à pluralidade das alianças de Deus, cada uma das quais alcança seu cumprimento em Cristo; postulando uma Aliança da Criação implícita como fundamental para as alianças futuras; e considerando seriamente a novidade do povo da Nova Aliança de Deus. Da criação à cruz, Deus cumpre seu plano redentor, aliança por aliança, revelando progressivamente a Nova Aliança maior agora ratificada em Cristo.

Todos os cristãos concordam que as alianças são essenciais para a história redentora da Bíblia, cujo centro é nosso Senhor Jesus Cristo. Entretanto, continuamos a discordar sobre as relações entre essas alianças. Este não é um novo debate. Na Igreja primitiva, os apóstolos lutaram com as implicações da obra da Nova Aliança de Cristo. De fato, muitos dos desafios enfrentados pela Igreja primitiva só podem ser compreendidos quando vistos como debates relacionados às alianças. Por exemplo, a razão para o Concílio de Jerusalém foi devido a debates sobre isso (Atos 15), especialmente sobre as relações entre judeus e gentios (Atos 10–11; Efésios 2.11–22; 3.1–13) e diferenças teológicas com os judaizantes. (Gálatas 3–4).

Embora os cristãos de hoje compartilhem um acordo básico de que a história da Bíblia se move de Adão a Abraão, do Sinai até Cristo, ainda discordamos sobre como juntar as alianças.[1] Essas diferenças afetam outras questões teológicas importantes, como a novidade do que Cristo realizou, como os Dez Mandamentos e as leis do sábado se aplicam à Igreja e como as promessas do Antigo Testamento agora são cumpridas em Cristo e na Igreja (uma questão relacionada à uma maior relação Israel-Igreja). Quando essas diferenças vêm à tona, descobrimos que ainda existem divergências significativas sobre como as alianças são feitas.

Este artigo aborda o tópico de como juntar as alianças, e o faz respondendo a três perguntas: (1) Por que discordamos? (2) Como resolvemos nossas diferenças? (3) Como podemos juntar as alianças de uma forma que não venha a distorcer os dados e ênfases das Escrituras?

Por que discordamos?

Por que muitos de nós que afirmamos a plena autoridade das Escrituras discordamos sobre verdades significativas? A resposta é complicada e multifacetada. Para começar, as visões teológicas não estão simplesmente ligadas a um ou dois textos. Em vez disso, as visões envolvem discussões sobre como os textos são interpretados em seu contexto, inter-relacionados com outros textos e lidos em termos das Escrituras como um todo.

Além disso, as visões estão ligadas à Teologia Histórica e à tradição. Não abordamos as Escrituras com uma lousa em branco; somos informados pela tradição e por uma herança teológica, que afeta como tiramos conclusões teológicas. Dentro da teologia evangélica, duas grandes tradições geralmente governam nosso pensamento sobre as alianças: o Dispensacionalismo e a Teologia da Aliança.

O Dispensacionalismo começou na Inglaterra do século XIX e passou por várias revisões. No entanto, o que é único em todas as suas formas é a distinção Israel-Igreja, e isso depende de uma compreensão particular das alianças. Para os dispensacionalistas, Israel se refere a um povo étnico e nacional, e a Igreja nunca é o Israel escatológico transformado no plano de Deus. A salvação dos gentios não é parte do cumprimento das promessas feitas ao Israel nacional e agora realizadas na Igreja. Em vez disso, Deus prometeu à nação de Israel, primeiro na aliança abraâmica e depois reafirmada pelos profetas, a posse da terra prometida sob o governo de Cristo, que ainda aguarda seu cumprimento no retorno pré-milenar de Cristo e no Estado Eterno.

A Igreja, então, é distintamente nova no plano de Deus e ontologicamente diferente de Israel. Embora a Igreja seja atualmente composta por judeus e gentios crentes, ela está recebendo apenas as bênçãos espirituais que foram prometidas a Israel. No futuro, Cristo governará as nações redimidas, e não a Igreja em sua forma atual. A Igreja não receberá todas as promessas de Deus igualmente, plenamente e para sempre em Cristo. Em vez disso, judeus e gentios crentes, que agora constituem a Igreja, se juntarão aos redimidos da nação de Israel, junto com as nações gentias, para viver sob o governo de Cristo de acordo com suas respectivas identidades nacionais e as promessas específicas dadas a cada um. O Dispensacionalismo também ensina que a Igreja é constituída como uma comunidade regenerada, o que implica que o sinal do batismo deve ser aplicado apenas àqueles que professam a fé em Cristo.

A Teologia do Pacto [Aliancismo, ou Teologia da Aliança] começou formalmente na era da Reforma e pós-Reforma, e é melhor representada pela Confissão de Fé de Westminster e outras confissões reformadas. Ela organiza o plano de Deus na história por meio da aliança de Deus com os seres humanos. Embora a Teologia da Aliança não seja monolítica, aqueles que a defendem normalmente defendem três alianças: a Aliança Intratrinitária da Redenção; a Aliança temporal de Obras feitas com Adão em nome da humanidade, que, tragicamente, ele quebrou, resultando em pecado e morte; e a Aliança da Graça feita em Cristo para a salvação do povo de Deus, que se desenvolveu ao longo do tempo por meio de diferentes administrações da aliança.

Embora a Teologia do Pacto reconheça a pluralidade dos pactos, ela inclui todos os pactos pós-queda sob a categoria abrangente do pacto da graça. Como resultado, o relacionamento Israel-Igreja é visto em termos de continuidade – isto é, os dois por natureza são essencialmente os mesmos, mas administrados de forma diferente. Por esta razão, Israel e a Igreja são constituídos como um povo misto (eleitos e não eleitos), e seus respectivos sinais da aliança (circuncisão e batismo) significam a mesma realidade espiritual – daí porque o batismo pode ser aplicado aos bebês na Igreja.

Embora a Teologia do Pacto reconheça a pluralidade dos pactos, ela inclui todos os pactos pós-queda sob a categoria abrangente do pacto da graça. Como resultado, a relação entre Israel-Igreja é vista em termos de continuidade, ou seja, ambas são essencialmente as mesmas por natureza, mas são administradas de maneira diferente. Por essa razão, Israel e a Igreja são constituídos como um povo misto, composto por eleitos e não eleitos, e os seus respectivos sinais do pacto (circuncisão e batismo) simbolizam a mesma realidade espiritual. Isso explica por que o batismo pode ser aplicado a bebês na igreja.

Dado que tendemos a ler as Escrituras à luz de nossas tradições teológicas, não é surpreendente que as pessoas discordem sobre as alianças. Como, então, resolvemos nossas diferenças?

Como resolvemos nossas diferenças?

Sem parecer ingênuos, resolvemos nossas diferenças voltando às Escrituras. Sim, resolver nossas diferenças não é uma tarefa fácil; exigirá que examinemos nossos pontos de vista novamente. Mas dado ao Sola Scriptura, a Escritura deve sempre ser capaz de confirmar ou corrigir nossas tradições. Assim, a resolução para os desacordos sobre as alianças é esta: nossa composição das alianças é fiel à própria apresentação das Escrituras das alianças desde a Criação até Cristo? Isso levanta algumas questões hermenêuticas, especialmente o que significa falar da própria apresentação da Escritura, ou de seus próprios termos. Minha breve resposta é observar três verdades sobre o que a Escritura é em seus próprios termos, todas as quais são importantes para formar adequadamente as alianças.

Primeiro, a Escritura é a Palavra de Deus, escrita por autores humanos e revelando o plano eterno de Deus centrado em Cristo (2 Timóteo 3.15–17; 2 Pedro 1.20–21; Lucas 24.25–27; Hebreus 1.1–3). Apesar do conteúdo diversificado da Escritura, ela exibe uma unidade e coerência geral precisamente porque é a Palavra de Deus escrita.

Além disso, uma vez que as Escrituras são a Palavra de Deus transmitida por meio de autores humanos, não podemos compreender o que Deus nos diz sem considerar a escrita e a intenção desses autores humanos. E, dado que Deus falou por meio de múltiplos autores ao longo do tempo, isso requer uma leitura cuidadosa que leve em conta uma análise intertextual e canônica deste textos a fim de compreender os propósitos e planos de Deus. As Escrituras não foram reveladas de uma só vez.

À medida que o plano de Deus se desenrola, mais revelações são dadas — e revelações posteriores, construídas sobre as anteriores, resultam em mais entendimento à medida que descobrimos como as partes se encaixam no todo. A melhor visão das alianças explicará como todas as alianças estão organicamente relacionadas entre si e como cada aliança aponta profeticamente para Cristo e à Nova Aliança.

Em segundo lugar, com base no primeiro ponto, a Escritura não é apenas a Palavra de Deus escrita ao longo do tempo, mas o desdobramento da revelação é amplamente demarcado pelo desdobramento progressivo das alianças. Para entender o cânon, então, devemos traçar cuidadosamente o desdobramento do plano de Deus conforme revelado por meio das alianças. Nossa exegese de livros inteiros deve reunir o cânon em termos de seu desdobramento histórico-redentor, e a melhor visão das alianças explicará a natureza do desdobramento do plano de Deus por meio das alianças, começando na Criação e culminando em Cristo e na Nova Aliança.

Em terceiro lugar, dada a revelação progressiva, a Escritura e as alianças devem ser colocadas juntas de acordo com três contextos que se desdobram. O primeiro contexto é o contexto imediato de qualquer livro. O segundo contexto localiza o livro no plano revelador de Deus, porque os textos estão inseridos no contexto mais amplo do que os precede. O terceiro contexto é o contexto canônico. Ao localizar textos (e alianças) no plano de Deus em desenvolvimento, descobrimos ligações intertextuais entre revelações anteriores e posteriores. À medida que os autores posteriores se referem a textos (e alianças) anteriores, eles se baseiam nelas, tanto em termos de maior compreensão quanto pela identificação de relações tipológicas — padrões dados por Deus entre pessoas, eventos e instituições anteriores e posteriores. Esses padrões são uma maneira crucial de Deus desenvolver seu plano por meio das alianças para alcançar seu cumprimento em Cristo e na Nova Aliança. As conclusões teológicas, então, incluindo a formulação da aliança, são feitas à luz do cânon. A melhor visão das alianças explicará como cada aliança contribui para o plano de Deus, começando na criação e alcançando seu cumprimento em Cristo

Trecho extraído de Voltemos ao Evangelho


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